GUERRA DOS MUNDOS - part 2

           

 

         Também surpreende em Spielberg a repetição de temas visuais (a menina através do vidro quebrado) e a construção de momentos genuinamente oníricos, como a equipe de tv que chega depois de um acidente de avião e o trem em chamas que continua a funcionar. Mas o que realmente coloca GUERRA DOS MUNDOS em outro patamar é (assim como no cada vez mais atual MINORITY REPORT) exatamente as dezenas de imagens/citações à paranóia americana e o mundo pós-11 de setembro.

            As referências são inúmeras, e ver Tom Cruise chegar em casa coberto de pó (que na verdade são pessoas aniquiladas) é apenas uma das mais brutais. O já citado acidente de avião não está lá à toa. E é deliciosamente irônico ver Dakota Fanning, ao perceber o início do ataque, perguntar ao personagem de Cruise: “São eles? Os terroristas?” O pavor do desconhecido está todo lá, e ao manter essa atmosfera até quase o fim do filme é um mérito e tanto para Spielberg.

            Isso sem falar na trilha de John Williams, longe dos temas retumbantes que lhe são característicos, mas com um minimalismo que pontua cada cena de forma única (em especial a cena do porão com Tim Robbins). O diretor de fotografia Janusz Kaminski também consegue a proeza de criar imagens icônicas de ficção científica que parecem saídas de uma dakelas primeiras revistas de SF lançadas nos anos 50 no EUA.

            Muito tem se falado sobre o final do filme. Antes de mais nada, o destino dos alienígenas é exatamente o mesmo do livro de H.G. Wells, e achar o desfecho ridículo nada mais é do que mostrar ignorância com relação ao efeito irônico desejado pelo autor. Além disso, se aquele é o melhor final encontrado por Spielberg para o personagem de Tom Cruise e sua família, isso não difere muito do final ‘spielbergiano’ de vários de seus filmes, só que dessa vez sem afetar a história da mesma forma infeliz que aconteceu com AI – INTELIGÊNCIA ARTIFICIAL.

            Em resumo, um dos melhores filmes do ano e, pelo menos até agora, uma obra que define e reflete o nosso tempo.



Escrito por Anderson às 04h54
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GUERRA DOS MUNDOS - part 1

GUERRA DOS MUNDOS

 

 

 

            Ficção científica não é pra qualquer um. É fácil ter efeitos especiais impressionantes. É fácil ter ETs matando gente. É fácil ter multidões de extras correndo com cara de pânico. Mas não é fácil ter tudo isso e ainda uma boa história. E ainda mais difícil é usar a ficção científica naquilo que tem de melhor: servir de metáfora para o tempo presente. No entanto, o GUERRA DOS MUNDOS de Steven Spielberg consegue tudo isso e mais um pouco.

            Ter a história original de H.G. Wells é um trunfo, claro. A história dos ETs que invadem a Terra pra exterminar os humanos é um livro seminal na ficção científica, mas que hj em dia raramente tem seu valor irônico reconhecido: é uma delícia ver Wells descrevendo o ataque alienígena numa Inglaterra vitoriana que se achava a nação dona do planeta. Mas chegaram os anos 30 e com eles a famigerada narração de GUERRA DOS MUNDOS feita por Orson Welles, cujo pânico coletivo no clima 2ª guerra mundial causou até o suicídio de algumas pessoas achando que a invasão marciana era real. Depois vieram os anos 50/60 e GUERRA DOS MUNDOS virou alegoria da Guerra Fria, onde ‘alien’ e ‘comunista’ era quase a mesma coisa.

            E agora chega Spielberg com o seu GUERRA DOS MUNDOS novinho em folha, e quem falar “11 de setembro” por último é a mulher do padre! Na primeira paranóia do século XXI, o timing é simplesmente perfeito para mais uma versão cinematográfica do romance de Wells. E Spielberg faz isso com tamanha maestria que percebemos, sem dúvida, o surgimento de um novo clássico.

            Acompanhamos a história de Ray Ferrier (Tom Cruise) e seus filhos Robbie (Justin Chatwin) e Rachel (Dakota Fanning) que se encontram no olho do furacão da invasão alienígena. Spielberg não foge à regra básica de toda a sua filmografia: usa de um tema fantástico para construir uma parábola familiar. Aki, Cruise é um pai de família que pouco sabe e tbm pouco se importa com seus filhos, que na verdade só estão com ele o que parece ser um fim de semana. A relação entre o trio é mais que problemática, o que vai se intensificar quando do ataque à Terra.

            Certamente, o roteiro engenhoso de David Koepp não ia fala de ‘marcianos’ como no livro de H.G. Wells, e a solução encontrada para a origem dos aliens é criativa e interessante, o que só aumenta a aura de mistério com relação aos ETs, cujas causas do desejo de destruição da Terra felizmente nunca são facilmente explicados (coisa rara em termos de Spielberg). Desde o primeiro momento, o diretor mostra o seu talento único (herança de Hitchcock) de manipular a platéia de forma que não fazia desde JURASSIC PARK. Os momentos ‘família’do filme são tão angustiantes quanto as gigantescas cenas de destruição que se seguem. E que cenas!

            A aparição do primeiro tripod é simplesmente antológica, e o fato dele sair de uma igreja não é em vão. Toda a seqüência em que as pessoas estão sendo literalmente pulverizadas em plena luz do dia é das coisas mais impressionantes já dirigidas por Spielberg (e estamos falando do homem que dirigiu A LISTA DE SCHINDLER). As atuações são todas estupendas, em especial Tom Cruise e Dakota Fanning (indicadíssima ao Oscar de atriz coadjuvante).

           



Escrito por Anderson às 04h51
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KING KONG VEM AÍ, LÁ LÁ...LÁ LÁ LÁ LÁ!

KING KONG

Akele que promete ser "o" projeto de Dezembro lançou seu primeiro trailer. Zilhões de expectativas rodeiam o filme, até porque é o primeiro projeto de Peter Jackson depois de LORD OF THE RINGS e está orçado em nada menos que 200 milhões de dólares.

Pessoalmente, adoro o look anos 30 que Peter Jackson preferiu, fazendo desse o remake perfeito para o filme de 1933. Achei o trailer interessante, apesar de ter achado que o macacão foi mostrado cedo demais.

O burburinho da net já começou: os efeitos especiais dos dinossauros não são muito bons, o que já criou uma espécie de 'complicador HULK' para o filme (para quem não se lembra, o HULK de Ang Lee foi tão espinafrado na net por ser mal feito que muita gente atribui o fracasso do filme ao péssimo boca a boca de internautas). A Weta Digital (a nova IL&M) prontamente respondeu que KING KONG ainda se encontra em pós-produção, e preferiu mostrar o primeiro trailer com efeitos mais ou menos a ainda ter q esperar um tempão pra lançar qualquer imagem.

Realmente, acho difícil a Weta desapontar. E tenho fé que KING KONG vai ser a surpresa da temporada de prêmios de fim de ano. É aguardar pra comprovar.

 



Escrito por Anderson às 02h10
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BATMAN BEGINS

BATMAN BEGINS

 

 

O homem-morcego finalmente volta às telas com a aguardadíssima abordagem realista prometida por Christopher Nolan (de AMNÉSIA). Funciona?

Funciona, muito bem obrigado. Talvez a decisão mais sábia desde o início foi a escalação de Christian Bale como protagonista, perfeito não só como Batman mas principalmente como Bruce Wayne (as cenas como o playboy de Gotham vão trazer sorrisos aos adoradores de PSICOPATA AMERICANO).

Na verdade, todo o elenco está muito bem...mas como não estaria? Liam Neeson, Morgan Freeman, Michael Caine e Gary Oldman! Destaque para Cillian Murphy, deliciosamente pinel como o Espantalho. Até mesmo a Katie “chatinha do Dawson’s Creek-nova cientologista de plantão” Holmes dá pro gasto.

O filme ganha dos anteriores exatamente por focar em Bruce Wayne ao invés dos anteriores, que preferiam os vilões. O look de Gotham, que mistura várias cidades (Londres, Chicago, Nova York) tbm é um dos pontos altos da produção. E o batmóvel, que primeiramente parecia ridículo, revelou-se uma ótima alternativa...lembra o thundertanque dos Thundercats.

No entanto, me parece que falta alguma coisa nesse BATMAN de Christopher Nolan para decolar totalmente – talvez essa busca por um realismo tremendo acabe tirando a mágica de um personagem fantasiado de morcego. E confesso: me deu dó ver o Asilo Arkham ser resumido a um corredor.

Mas tudo bem, talvez eu esteja pegando pesado demais...Afinal de contas, o Coringa vem aí. Mark Hamill? Paul Bettany? Sean Penn? Crispin Glover? As apostas já começaram.

 



Escrito por Anderson às 00h33
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MR. AND MRS. SMITH

MR. & MRS. SMITH

 

 

 

Não esperava que fosse tão divertido! Brad Pitt e Angelina Jolie (o casal mais bonito já visto na tela no cinema recente) são agentes tão secretos que nem eles sabem da profissão um do outro. E qdo eles começam a descobrir seus segredos é que o filme esquenta.

Doug Liman, no entanto, se dá melhor antes das explosões e pirotecnias já esperadas em filmes desse tipo. Numa mistura de filme de Woody Allen com anúncio da Brastemp, ele mostra o marasmo do casamento vivido por esse casal perfeito. Ponto pra Brad Pitt, com tino perfeito pra comédia aki. Angelina Jolie nem precisa fazer nada, porque alguém com akela boca já merecia ter nascido num pedestal. Mas o melhor mesmo são as cenas hilárias em que um fica ‘teasing’ o outro, culminando em um dos momentos mais engraçados do cinema este ano: os dois caindo na porrada!



Escrito por Anderson às 00h32
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STAR WARS - REVENGE OF THE SITH

STAR WARS – REVENGE OF THE SITH

 

 

 

Ruim como sempre, mas pelo menos não tão ruim como os anteriores da trilogia. Existe algo nesse aki que quase faz o filme decolar – talvez seja a atuação camp de Ian McDiarmid ou a atmosfera de perda que permeia todo o filme. George Lucas tem o talento único para desperdiçar cenas e atores ótimos (as vítimas continuam sendo Natalie Portman, Samuel L. Jackson e Ewan McGregor), mas pelo menos aki, como já sabemos do final, fingimos não prestar atenção.

Yoda continua um fofo, e sua luta final com o Imperador é tão ou mais hilária qto a cena “pulga” (como diria a Clarice) do filme anterior. Os dois ficam se matando no senado de Coruscant enquanto o Imperador fica rindo igual à velha surda da “Praça é Nossa”.

Falando em luta: o duelo entre Anakin (Hayden Christensen, sempre fraquinho) e Obi-wan é ótimo, mas o final é meio que anticlímax. E o que é akele grito do Darth Vader? “Noooooooooooooooooooooooooooooooooooo”. Parecia auto-paródia.

Mas não se desesperem meus amigos: pelo menos acabou. Eu espero.



Escrito por Anderson às 00h31
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CRUZADA

 

CRUZADA

 

 

Merece crédito por ser a primeira atuação convincente de Orlando Bloom, e já que ele aki é protagonista, o talento de Ridley Scott tem mérito. Retratar as cruzadas para um mundo onde a relação Oriente/Ocidente está sendo novamente debatida não é tarefa fácil, mas Scott consegue de maneira satisfatória fugir dos clichês do gênero.

Um filme um tanto sério demais pra abrir o verão americano, até porque foge da pobreza de espírito de um TRÓIA e explora nuances dos personagens que às vezes fogem do padrão. Assim como no ótimo GLADIADOR, as melhores cenas não são as de batalha (poucas aliás, que qdo acontecem são todas chupadas da cena do Abismo de Helm em SDA – AS DUAS TORRES), mas sim akelas em ambientes fechados apenas com dois atores conversando. Claro que sem bons atores isso não funciona – pra vcs terem uma idéia, ter um Edward Norton mascarado o filme inteiro já vale.

Tbm merecem destaque Eva Green (no papel de ‘mulher exótica’ que filmes como esse sempre precisam ter) e Ghassan Massoud, estupendo como Saladino. Mesmo passando longe de discussões mais profundas sobre religião, Ridley Scott ainda é capaz de fazer pensar.



Escrito por Anderson às 00h30
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Voltei para este humilde PLEASANTVILLE

          

 

 

           Sim, sim voltei. Quem estiver lendo isso agradeça à Clarice, autora do manifesto para o retorno à ativa desse humilde blog. Valeu pelo empurrão!

          Bem, parei pelos motivos de sempre: falta de tempo, trabalhando até morrer, dormindo poko, além de não estar podendo ir muito ao cinema. Mas agora, graças a Deus o semestre está acabando e estou com um pokinho mais de tempo pra me divertir.

          E resolvi ativar o blog não com os mega-filmes evento que estão sendo lançados nessa época do ano (cujos comentários vcs verão em breve), mas com um filme já um tanto antigo, mas que quanto mais vejo, mais percebo o quanto é à frente do seu tempo, e por isso mesmo subestimado: o divino PLEASANTVILLE, lançado no Brasil como A VIDA EM PRETO E BRANCO, de 1998.

          Dirigido, produzido e escrito por Gary Ross (que depois fez o "não vi e não gostei" SEABISCUIT), PLEASANTVILLE é visto como um filme bonitinho por grande parte do público e crítica, até pq traz um elenco adorável que mistura jovens atores às vésperas do estrelato (Tobey Maguire pré-SPIDER MAN, Reese Witherspoon pré-LEGALLY BLONDE, Paul Walker pré-VELOZES E FURIOSOS) e a firmação do talento de excelentes atores geralmente relegados a coadjuvantes (Joan Allen e William H. Macy). Mas pq ninguém dá o valor merecido a esse filme?

          Vamos à história: dois irmãos adolescentes (os clássicos ‘garoto nerd’ e ‘garota saidinha’ da escola) são transportados pra dentro de uma série de TV dos anos 50/60 através de um controle remoto mágico e lá passam por todo o tipo de aventura que acaba por mudar não só o programa em si, mas tbm eles mesmos.

          Ok, vc pensou: A ROSA PÚRPURA DO CAIRO encontra O ÚLTIMO GRANDE HERÓI. Mas é mais do isso: ouso dizer que junto com PULP FICTION e TRUMAN SHOW, PLEASANTVILLE é o primeiro filme americano do século 21. Partindo da prerrogativa estapafúrdia do controle remoto mágico (espertamente nunca explicada exatamente), o filme parte para uma análise histórica da sociedade americana capaz de colocar muito sociólogo no chinelo.

          A indefinição de gênero só enriquece o filme: é parte ficção científica, é parte distopia, é parte ‘filme-metáfora’, é parte comédia adolescente e (claro) é filme dos anos 50 – mas a produção de Gary Ross miraculosamente nunca se perde. Aliás, a escolha dos anos 50 não poderia ser melhor já que se é sabido que essa é a década ‘americana’ por excelência, onde se forma e se consolida a maioria dos valores dos Estados Unidos no século 20. Assim como Philip K. Dick na pequena obra-prima TIME OUT OF JOINT e Robert Zemeckis em DE VOLTA PARA O FUTURO, PLEASANTVILLE pinta os anos 50 sem nunca perder o presente de vista, fazendo dakela década o espelho da atual, nos afrontando e seduzindo.

          PLEASANTVILLE esbanja símbolos e metáforas que sozinhos já o colocam em patamar diferente de outras produções que abordam o tema ‘realidade x ilusão’ (alguém viu o Neo por aí?) – até Baudrillard dedicou boa parte de seu último livro a analisar o filme. Mas talvez nenhum elemento desta obra talvez seja mais chocantemente belo que o uso das cores, que é algo como um pré-LONGE DO PARAÍSO. Essa sociedade herdeira de Prometeu que à medida que rouba o conhecimento dos deuses (mesmo que seja uma deusa na forma de Reese Witherspoon) explode numa palheta multi-colorida é a metáfora perfeita para uma América que prefere o monocromático que agrada a todos em vez de um arco-íris que pode libertar a população da sua ‘blissful ignorance’. É claro, muitas das imagens e citações que têm a cor como elemento principal às vezes têm a sutileza de um tapa na cara, como na onírica cena da maçã onde Tobey Maguire faz às vezes de um Adão pós-moderno.

          Então o roteiro dá uma guinada e mostra que os cidadãos bonzinhos dakela pacata cidade americana dos anos 50 resolvem revelar quem realmente são, em forma de preconceito e ódio com relação a todos akeles que agora se tornaram cidadãos ‘de cor’ (mais uma metáfora pouco sutil, mas nem por isso menos impressionante). As pessoas que se tornaram ‘coloridas’ passam a ser segregadas e têm de passar a respeitar um código de conduta. O filme se torna uma mensagem contra a intolerância que curiosamente diz mais sobre a América de Bush que a de Eisenhower. Não é à toa que PLEASANTVILLE rima com DOGVILLE.

          Poderia continuar falando de todas as interpretações arrebatadoras do elenco (incluindo aki um Jeff Daniels surpreendente), da cena da maquiagem de Joan Allen que só perde para aquela de Glenn Close em LIGAÇÕES PERIGOSAS, e das dezenas de citações que vão da noção de liberdade de Mark Twain em HUCKLEBERRY FINN até os bombeiros que queimam livros de FAHRENHEIT 451. Mas prefiro terminar com o que aconteceu depois que o filme terminou (ao som da maravilhosa ACROSS THE UNIVERSE dos Beatles na voz de Fiona Apple): troquei de canal e no canal Sony estava começando a série AMERICAN DREAMS, sobre uma família americana nos anos 50/60. Realmente, o tipo de passado que admiramos diz muito sobre o  presente em que vivemos.



Escrito por Anderson às 02h30
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SIN CITY

 

Direta ou indiretamente louvado como ‘o’ filme cool do ano, SIN CITY tem tanto hype que não me fez esperar o lançamento em cinema (no longíquo final de Julho) e comprar um piratão mesmo.

Vamos ao checklist de coolness:

História: Baseado nos quadrinhos de Frank Miller – Cool!

Diretores: Robert Rodriguez, Frank Miller e Quentin Tarantino – Muito Cool!

Elenco: Rosario Dawson, Clive Owen, Benicio Del Toro, Bruce Willis, Jessica Alba, Mickey Rourke, Elijah Wood, Britanny Murphy, Nick Stahl, Michael Madsen entre outros – Super cool!

Estilo: Super fiel aos quadrinhos, com direito a P&B e detalhes coloridos, em especial vermelho sangue  - Super mega cool!

Que é cool, ninguém tem dúvida. Mas é bom? Certamente é, mas não vai mudar a história do cinema como tem gente alardeando por aí. É certo que é o melhor filme de Robert Rodriguez, um diretor que sempre tem ótimas idéias mas nem sempre sabe desenvolvê-las bem. Aki, ele se mostra um mestre na narrativa, até porque (como manda a cartilha cool pós-moderna) temos uma história fragmentada que vai e volta no tempo. E da mesma forma em que Peter Jackson na trilogia SENHOR DOS ANÉIS, nota-se a cada fotograma a paixão e o cuidado com o qual os cineastas realizaram esse trabalho.

Provavelmente se trata da mais fiel adaptação de quadrinhos já feita. Mesmo não tendo lido a HQ de SIN CITY, conheço outros trabalhos de Frank Miller (em especial no que diz respeito a Batman) e posso afirmar que o filme captura akilo que o autor tem de mais marcante: personagens angustiados que expressam o seu descontentamento com o mundo através de uma explosão de ultra-violência. Falando em violência, se você acha que KILL BILL foi o máximo de sangue que vc já viu, think again. O nível de tortura, canibalismo, decapitação, assassinato e órgãos genitais arrancados com as mãos (sim, foi isso mesmo que vc leu) não encontra paralelo no cinema de Hollywood – o que conta para SIN CITY ficar na sua cabeça por dias.

O elenco incorpora o estilo noir ultra-violento imposto pelo roteiro e se deliciam em suas interpretações, que curiosamente passam longe do exagero (coisa fácil de acontecer em produções desse tipo). Merece destaque Bruce Willis, em interpretação ao estilo Clint Eastwood, Mickey Rourke (apesar da maquiagem fazer a metade do trabalho), Nick Stahl (apesar da maquiagem fazer mais que a metade do trabalho) e o casal Rosário Dawson/Clive Owen, talvez os que melhor representam o estilo decadence avec elegance de SIN CITY.



Escrito por Anderson às 18h31
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KINSEY

 

Mais uma vez fui no VIVO OPEN AIR ver a pré-estréia do ótimo KINSEY, mais recente projeto de Bill Condon (o mesmo do tristíssimo DEUSES & MONSTROS). Tirando a chuva que pegou todo mundo de surpresa e me tirou a atenção de alguns momentos do filme, KINSEY está à altura da expectativa, passando longe dos cacoetes de cinebios.

O professor Kinsey foi o primeiro cientista americano a se dedicar ao estudo da sexualidade humana e, através de entrevistas feitas com diferentes cidadãos dos Estados Unidos, traçou um verdadeiro mapa do que as pessoas realmente fazem entre quatro paredes. Mas tal pesquisa, é claro, vai perturbar e muito os bastiões da moral e bons costumes da metade do século, ao mesmo tempo em que vai abalar a estrutura emocional de todos que participam do projeto.

Condon, mais uma vez revelando-se um às do roteiro (ele também fez mágicas com a história de CHICAGO), começa sua narrativa tratando Kinsey como mais um na lista de entrevistados para a pesquisa. A partir daí, partimos para a infância do personagem e sua relação com o pai (um direitista doentio vivido por John Lithgow), sua entrada na universidade, seu interesse pela biologia e sua posterior curiosidade pela sexualidade humana. Diferente de outras cinebios (alguém ouviu Ray Charles cantando por aí?), KINSEY não trata o biografado como um marginal que com sua força de vontade, ultrapassa todas as barreiras e vence o preconceito (pausa para violinos). Não espere o sonho americano vindo de Bill Condon. O protagonista é mostrado como um homem movido pela curiosidade e o desejo de conhecimento – mas isso não o torna heróico ou mais digno que outros personagens. Pelo contrário: várias vezes essa é uma de suas maiores fraquezas e pesa contra ele – como sutilmente constata sua esposa em vários momentos.

Mas talvez o melhor mesmo de KINSEY sejam as críticas (veladas ou não) à América de hoje, que pouco difere com relação a conceitos sobre sexualidade tidos como corretos na metade do século passado. Ilustrações claras disso estão nas cenas em que Kinsey mostra figuras dos órgãos sexuais (masculino e feminino) para um curso ‘sobre casamento’ – ele mostra para quem está dentro mas também fora da tela. E as reações dos dois públicos não são muito diferentes. Outro momento chave é quando, questionando a ignorância dos americanos com relação ao sexo, se pergunta se não teria sido melhor a América ter sido colonizada por pervertidos e prostitutas que por puritanos.

O elenco é todo ótimo, em especial Liam Neeson, que passa longe da construção de ‘biografado digno’ e é melhor quando mostra Kinsey em seus momentos de fraqueza. Laura Linney, indicada ao Oscar, está mesmo ótima, e tem uma cena em que dá show. Os coadjuvantes também são todos excelentes, em especial Peter Saarsgard, arrasador. Destaque para a cena de dois minutos em que Lynn Redgrave aparece, dando um discurso que beira o visceral.

Mais atual que de época, mais questionamento que biografia, KINSEY é um filme sobre tempos antigos para o nosso tempo.



Escrito por Anderson às 18h26
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VIOLAÇÃO DE PRIVACIDADE

 

 

Robin Williams continua em sua cruzada para ser reconhecido como ator sério e VIOLAÇÃO DE PRIVACIDADE (mais um título esquisito só pra confundir com akele filme horroroso com a Sharon Stone) é mais uma de suas tentativas. Assim como no interessante ONE HOUR PHOTO, Williams vive um tipo marginal num filme que tenta conciliar a criatividade da narrativa com um visual que causa estranhamento imediato.

O diretor e roteirista Omar Naim prova que leu Philip K. Dick direitinho ao criar uma narrativa que em muito lembra um dos papas da ficção científica: num futuro não-específico, certas pessoas implantam uma espécie de chip no cérebro para gravar todas as experiências que vivem. Ao morrerem, esses chips são retirados e as imagens contidas neles são mostradas no funeral como se fosse um filme. Ou seja, o enterro vira uma espécie de sessão de cinema.

Mas é claro que o filme da vida de uma pessoa vai ser gigantesco e vai mostrar certas partes comprometedoras que ninguém vai querer ver – portanto precisam de edição. O mais competentes desses editores é exatamente Robin Williams. Mas é qdo ele recebe uma encomenda especial para editar o chip de um importante executivo que sua vida é posta em risco.

VIOLAÇÃO DE PRIVACIDADE é criativo ao extremo, mostrando como é ter um filme inteiro da sua vida gravado – cemitérios teriam lápides com telas e cada cidadão faria sua própria cinebiografia. No entanto, o filme começa a levantar vários questionamentos que – por falta de tempo, dinheiro ou interesse – não são levados a diante. Qual a importância da narrativa na vida de um ser humano? Seria mesmo o cinema a maior imitação da vida? Os sonhos também seriam gravados no chip? Muito é deixado de lado, o que em muito enriqueceria o filme.

Robin Williams está bem, mas não ajuda ter um elenco coadjuvante que cai de pára-quedas (Mira Sorvino péssima e um Jim Caviezel ridículo de barba postiça). Uma história riquíssima, que mesmo cheia de possibilidades, merecia ser mais bem explorada.



Escrito por Anderson às 18h25
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LOST

 

Melhor e mais badalada série desse ano junto com DESPERATE HOUSEWIVES, LOST é mais um golpe de mestre de J.J. Abrams, também criador da maravilhosa ALIAS. Já tinha lido muito sobre, mas nunca tinha assistido a nenhum episódio da série até qdo o canal AXN passou uma maratona com os sete primeiros episódios.

E a hype em torno da série realmente se justifica, confirmando LOST não só como uma das mais criativas séries de TV dos últimos tempos, mas também dando a ver que os mistérios que rondam a trama vão ser capazes de prender o espectador por mais 4 temporadas (número previsto por J.J. Abrams).

O ponto de partida parece um tanto clichê: depois de um acidente de avião, 46 sobreviventes têm de tentar sobreviver às condições mais adversas enquanto aguardam o resgate. Mistura de NÁUFRAGO com SENHOR DAS MOSCAS? LOST passa longe: na verdade, como foi alardeado por toda a mídia, a série tem muito mais a ver com ARQUIVO X que com as lamentações de Tom Hanks para um bola de vôlei.

A questão é que a ilha onde ocorre o acidente é uma espécie de limiar entre sonho e realidade, onde as coisas mais bizarras podem acontecer. Pra se ter uma idéia, pode surgir um urso polar do nada ou ainda criaturas devoradoras de homens, mas que espertamente nunca são mostradas. E isso é só o princípio, pois os mistérios se acumulam não só com relação à ilha, mas também aos sobreviventes. Os roteiros dos episódios, de forma engenhosa, mostram a cada episódio um flashback de como os personagens principais viviam antes do acidente e de o que os levou a embarcar naquele fatídico vôo. Mas é claro que muita coisa fica sem explicação, cabendo ao público tentar desvendar os mistérios de cada um dos passageiros que sobreviveram.

Assim como em ALIAS, o maior mérito de LOST é ter muito em comum com uma produção cinematográfica – não só com relação à grandeza, mas também com a qualidade. Diferente da maioria das séries, parece haver um genuíno desenvolvimento dos personagens à medida que a trama avança, ao invés de simplesmente colocar as mesmas pessoas em diferentes situações.

Pra acompanhar os vários momentos passagens do roteiro – sempre pulando do flashback para o presente – só mesmo uma edição excelente, que na maioria das vezes pega o espectador de surpresa. Os efeitos especiais são bem realistas: em se tratando de acidentes de avião, algo já mostrado mil vezes em cinema, LOST consegue ter uma perspectiva diferente e original, auxiliado por som e efeitos sonoros de alta qualidade. E a trilha sonora é de um dos nomes mais quentes da atualidade: Michael Giachino, que também assina a ótima trilha de ALIAS e que ganhou vários prêmios ano passado pelo OS INCRÍVEIS da Pixar. O elenco todo é muito bom, tendo como nomes mais conhecidos Matthew Fox (que era apagadinho em PARTY OF FIVE mas aki tem carisma de sobra para ser protagonista) e Dominic Monaghan (o Merry de O SENHOR DOS ANÉIS).

Não tem mais jeito: só me resta ficar plantado toda a semana em frente à TV roendo as unhas aguardando as próximas reviravoltas de LOST.



Escrito por Anderson às 00h55
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REENCARNAÇÃO

 

Qdo terminou a exibição de REENCARNAÇÃO, não sabia se tinha visto um dos mais pretensiosos filmes B de todos os tempos ou se tinha acabado de presenciar uma obra-prima. Talvez esse segundo projeto de Jonathan Glazer, ótimo diretor de videoclipes que fez uma transição interessante para o cinema (seu primeiro filme foi SEXY BEAST, akele com o Ben Kingsley escandaloso), não seja nenhum dos dois. Mas o fato é que não dá pra sair imune emocionalmente de um filme tão perturbador – mas que mexe com o público por motivos diferentes dakeles alardeados pela mídia.

Em mais um exemplo clássico de marketing errado (a começar pelo título do filme em português), o filme passa longe de questões espíritas ou de terror. O que acontece é que uma viúva (Nicole Kidman) está prestes a se casar novamente qdo é surpreendida por um menino de 10 anos (Cameron Bright, a versão masculina da Dakota Fanning) que afirma ser o seu marido.

Essa situação é o ponto de partida do roteiro – que percebendo o absurdo da situação, coloca quase todos os personagens rindo ou fazendo piadas do menino no início. Mas à medida que o garoto se torna mais incisivo e revela saber de coisas que só o finado marido sabia, o problema se instala, abalando as estruturas da viúva e de todas as pessoas a seu redor.

O filme tem vários méritos, e talvez o maior deles seja a imprevisibilidade – é realmente impossível saber o quanto o garoto está dizendo a verdade e qual será a solução dada a uma situação tão bizarra. Mais bizarro ainda é ver a mudança que ocorre em vários personagens, principalmente na protagonista vivida por Nicole Kidman (mais uma vez em espetacular interpretação), que mais e mais se vê apaixonada pelo garoto. Sim, eles se beijam. Sim, tem a famosa cena em que ela e o menino, ambos nus, conversam numa banheira. No entanto, mais que isso, há uma espécie de atitude enlouquecida de Kidman por tentar viver com essa pessoa que é uma imitação de seu marido. Ela pensa em fugir com ele. Ela pergunta a ele se é possível os dois transarem. Passando longe das questões de pedofilia (mas mesmo assim um tanto latente em alguns momentos da história), REENCARNAÇÃO prefere discorrer sobre que tipo de loucura pode acometer alguém extremamente apaixonado, por mais implausível que essa paixão possa ser.

A obra não tem a menor cara de americana, beirando o filme de arte, o que rendeu algumas comparações com Kubrick, principalmente com relação aos movimentos de câmera. A fotografia em tons amarelos e pastéis cria uma espércie de torpor, o que cai bem no estilo imposto ao filme – a decisão de mostrar o rosto de Kidman com seu cabelo BEBÊ DE ROSEMARY em close várias vezes é acertada. A trilha, apesar de um tanto intrusiva, é excelente para pontuar o turbilhão de emoções vividos pelos personagens da trama. Aliás, o elenco está todo fantástico: além de Nicole Kidman e Cameron Bright, Lauren Bacall (em uma interpretação deliciosamente blasée), Anne Heche (surpreendente em duas cenas) e Danny Houston.

E o final, mostrando o mar em toda a sua grandeza assustadora (minha cena preferida em qualquer tipo de filme), me ganhou: filme B ou obra-prima, REENCARNAÇÃO é para ser visto e revisto.



Escrito por Anderson às 00h43
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TEAM AMERICA

 Team America,  Poster  503024

 

Fui na estréia do VIVO OPEN AIR e vi TEAM AMERICA, mais uma tresloucada produção dos mesmos criadores de SOUTH PARK. Mesmo sabendo que nada se compararia ao primeiro SOUTH PARK (decididamente o filme mais engraçado que já vi na vida), TEAM AMERICA tem seus bons momentos e ganha principalmente por criticar não só a política americana e seus princípios (o que seria muito fácil), mas também aqueles que  são contra os EUA.

O filme é todo rodado com bonecos, o que torna o escracho ainda mais convincente. “Team America” é um grupo de defesa do governo americano quese auto- intitula a “polícia do mundo”, espalhando a liberdade e a democracia pelo planeta – mesmo que para isso tenha que explodir as pirâmides do Egito e a Torre Eiffel. Quando o grupo precisa recrutar um ator da Broadway para ajudar na caça a um terrorista é que os problemas começam.

Não fica pedra sobre pedra: Bush, Michael Moore, Coréia do Norte, Alec Baldwin, Susan Sarandon, RENT...A metralhadora giratória de sarcasmo atinge a todos. E ainda tem espaço para músicas maravilhosas. Entre as verdadeiras obras-primas, a melhor mesmo é uma canção inteira falando mal do filme PEARL HARBOR (o segundo pior filme que vi na vida) – expressando o seu amor por uma agente do TEAM AMERICA, o protagonista me sai com “I miss you more than that movie missed the point.” Chico Buarque perde.

Com umas piadas grosseiras aki e ali e uma porção de citações, TEAM AMERICA é locação imperdível qdo sair em DVD – pq não vai passar em cinema por aki...



Escrito por Anderson às 00h31
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ILHA DESERTA: LIVROS

A Folha de São Paulo lançou uma série ótima chamada “Ilha Deserta”, que já comentei aki assim que esse blog foi criado. Trata-se de vários escritores, músicos e críticos escolhendo, em livros diferentes e dependendo do tema, os livros, discos e filmes que levariam para um ilha deserta. Existem algumas escolhas interessantes em cada livro e eu acabei pensando– é claro! – quais que eu levaria tbm. Comecei a pensar sobre os livros e a primeira lista que me veio a kbça (sem ordem de preferência) foi a seguinte:

 

 

-ENSAIO SOBRE A CEGUEIRA (José Saramago): Dos livros de Saramago que li esse permanece imbatível. A metáfora da cegueira num mundo despido de ilusões, além do tom distópico da narrativa, são ao mesmo tempo aterradores e inesquecíveis.

 

 

- HARRY POTTER E O CÁLICE DE FOGO (J.K. Rowling): Pra mim o melhor livro da série, que consolida a nova fase de Harry como um herói maduro e cheio de conflitos. Talvez o livro em que Rowling mais brilhantemente equilibra a construção de personagens com o ritmo de aventura.

 

 

- MORTE EM VENEZA (Thomas Mann): É difícil dizer o que é melhor: o filme ou o livro. Os questionamentos do narrador sobre a arte são reveladores, analisando o fascínio que o belo possui sobre a humanidade. Para se ler várias vezes.

 

 

- A HISTÓRIA SECRETA (Donna Tartt): Existem muitos thrillers/best-sellers por aí, mas nenhum se compara a este. Tem assassinato, sexo, traição e mistério – tudo embalado pelo estudo da mitologia grega numa das mais exclusivas universidades dos EUA. Mas o melhor mesmo é o modo como Tartt mistura as tragédias gregas à tragédia do seu romance, num engenhoso jogo de referências.

 

 

- UMA APRENDIZAGEM OU O LIVRO DOS PRAZERES (Clarice Lispector): Difícil dizer qual o melhor livro de Clarice, mas com certeza esse é o mais marcante. Ao começar o romance com uma vírgula e terminar com dois pontos, ela já explicita que esta não é uma obra comum. O aprendizado da protagonista Lóri, numa mistura explosiva de dor e prazer, é tão pungente que é inevitável para o leitor fazer questionamentos sobre si próprio. Como afirma a personagem num dos momentos mais bonitos do romance: “O Deus que me ajude nessas trevas geladas que são as minhas.”



Escrito por Anderson às 04h39
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